A Radioterapia é o emprego da radiação ionizante para o tratamento de pacientes com tumores malignos.
Uma característica comum a todas as células malignas é a sua capacidade de proliferação ilimitada. A velocidade na qual isso ocorre varia com o tipo de tumor; a radiação ionizante interfere na divisão celular, e, se foi determinada a uma lesão suficientemente letal pela radiação dentro da célula, esta será incapaz de reproduzir-se com êxito. Entretanto, a morte celular pode não ocorrer imediatamente, mas ser retardada por várias divisões celulares que se prolongam de horas a meses.
Provavelmente, as células malignas têm a mesma capacidade de reparar a lesão pela radiação que as células normais, porém não se conseguem reproduzir tão rapidamente.
Esta diferença possibilita a erradicação radiológica dos tumores.
A Radioterapia pode ser usada em combinação com a cirurgia, seja no pré ou pós-operatório, com ou sem quimioterapia.
Os objetivos da radiação pré-operatória são:
· reduzir a possibilidade de recidiva local, destruindo as células malignas periféricas melhor oxigenadas que não serão extirpadas pela cirurgia;
· reduzir a massa e o volume tumoral, facilitando assim a cirurgia;
· diminuir a probabilidade de disseminação metastática no momento da cirurgia.
No caso da irradiação pós-operatória, esta deve ser usada quando:
existe tumor residual ou grande probabilidade de recidiva local. Esta irradiação deve incluir o volume original do tumor e as regiões adjacentes que contêm linfonodos.
Sim, desde que o campo de radiação esteja na área com cabelo ou pelo. A queda de cabelo em pacientes que não irradiam o couro cabeludo não tem qualquer relação com o tratamento.
A partir de 20Gy (2.000cGy) de dose de irradiação inicia-se a queda de cabelos. Porém este limiar de dose pode variar de acordo com a pessoa e, principalmente, de acordo com outros tratamentos como quimioterapia. Normalmente os cabelos tendem a voltar com o tempo, cerca de 2 a 4 meses após o término da irradiação.
Para doses totais acima de 50Gy (5.000cGy) é provável que não mais cresça qualquer pelo ou cabelo na área irradiada, pois nessas doses, a radiação pode destruir as raízes dos mesmos. Esta dose também pode ser inferior ou superior, dependendo do paciente e mesmo de outros tratamentos simultâneos.
Não, a radiação não dói, não se vê e não se escuta. Os sintomas que podem surgir são devidos aos efeitos do tratamento sobre as células, o que ocorre sempre após uma série de aplicações.
Geralmente só se utiliza anestesia ou sedação quando o paciente não consegue ficar imóvel durante o tratamento, mesmo com os sistemas imobilização para fixação da posição utilizada. Crianças muito pequenas ou adultos com problemas clínicos ou psiquiátricos são um exemplo.
Isto irá depender muito dos volumes de tecido normal que precisam ser incluídos por necessidade, no campo de irradiação. Na doença inicial e restrita, deve-se limitar a radiação ao tumor e a uma pequena quantidade de tecido vizinho normal.. Neste caso, os efeitos colaterais provocados pela radiação são mínimos. Na doença mais avançada, tratam-se volumes maiores e os efeitos colaterais aumentam proporcionalmente. A dose diária e a dose total também são importantes aqui; à medida que cada uma delas aumenta, as reações agudas e crônicas podem aumentar.
Os tratamentos radioterápicos podem ser feitos através de:
- feixe externo (máquina de cobalto, acelerador linear),
- por métodos intracavitários (dentro de uma cavidade, isto é, intra-uterinos e vaginal) ou
- por métodos intersticiais (dentro do tecido, como os implantes radioativos).
É a região demarcada pelo médico onde incidirá a radiação para fins terapêuticos. Estes campos normalmente são riscados na pele com tinta ou marcados na máscara. Para sua delineação o médico leva em consideração o tamanho, localização e vias de disseminação do tumor, margem de segurança, forma e presença de órgãos sadios adjacentes.
Absolutamente NÃO. A ação da radiação se dá apenas no momento da aplicação, e apenas no local que recebeu a radiação.
Portanto NÃO FAZ MAL algum ficar próximo de pacientes, pelo contrário, só ajuda ao paciente psicologicamente. Não faz mal pegar crianças no colo, abraçar, namorar ou mesmo ter relações sexuais por causa da radioterapia.
A radiação age por cerca de milésimos de segundos quando incide nas células. Entretanto, seu efeito lesivo pode perdurar por dias ou meses, de acordo com a intensidade da dose.
Após cada aplicação, nenhuma fonte de radiação permanece no corpo do paciente. O fato de se dizer que o efeito da radiação é cumulativo é porque, após a ação da mesma numa célula não se pode irradiá-la novamente sem levar em consideração os danos causados na primeira irradiação.
Os planos de tratamentos são prescritos no início, com determinado fracionamento, com doses diárias e até semanais. Desta forma quando se falta, na verdade modifica-se o intervalo entre as sessões, o que pode alterar o efeito esperado.
Em alguns tipos de tumores a interrupção de tratamento pode prejudicar em muito o resultado de sobrevida, mesmo com apenas alguns dias a mais.
Entretanto, algumas vezes é necessária a interrupção por períodos variáveis, de acordo com a avaliação do médico, para atenuar efeitos colaterais indesejáveis.
O problema do consumo de bebidas alcoólicas não está relacionado ao fato de estar sendo irradiado, mas sim à doença e seus efeitos. De acordo com o local em tratamento (trato gastro-intestinal, por exemplo), o consumo de bebidas alcoólicas, associado aos efeitos da irradiação, pode provocar um retardo na recuperação das células, pois as agressões se somam. Os sintomas desse efeito são mais intensos que o habitual e pode inclusive haver necessidade de interrupção do tratamento, o que não é desejável. Além disso, dificuldade para se alimentar ou alteração do hábito intestinal (diarréias) também se intensificam com o álcool, podendo levar a desidratação e maior enfraquecimento.
Por outro lado, se o consumo da bebida é essencialmente "social", não há contra-indicação formal. Por exemplo, uma irradiação na perna e o consumo apenas de uma taça de vinho num dia de festa na família não provocará nenhum dano maior.
Pergunte ao seu médico suas dúvidas a respeito, inclusive devido à possibilidade de interação do álcool com medicamentos em uso.
Radiações capazes de produzir a ionização de um meio. Produz o deslocamento de átomos das moléculas, através da transferência de energia, gerando íons de carga positiva ou negativa.
Quando o tratamento é bem planejado e executado, não deve haver diferenças importantes com relação aos resultados. O efeito da radiação é o mesmo, não importando o aparelho.
O que existe é uma diferença significativa em relação ao tipo de técnica e homogenidade do tratamento e possibilidade de maior preservação dos tecidos normais. De acordo com a energia do acelerador, também pode haver algumas diferenças para determinados tumores.
Em tratamentos de tumores mais profundos e próximos a órgãos sadios, em geral, são mais precisos os tratamentos em aceleradores do que em aparelhos de cobalto. Já em tumores mais superficiais o resultado é muito parecido.
Outra diferença em relação ao uso de cobalto e aceleradores é que nestes, o poder de penetração maior possibilita o uso de acessórios e composições de campos mais elaboradas que, por sua vez, propiciam maior homogenidade de doses no tumor e menores doses nos tecidos sadios e mesmo a pele.
Freqüentemente usam-se combinações de tratamentos externos e internos na tentativa de curar a doença local ou regional ou para aliviar os sintomas e sinais de doença avançada, tais como dor, sangramento e obstrução.