Como podemos ajudar pessoas com depressão

Everton Ramos Jordão de Aguiar

Psicólogo CRP 06/126957


Como posso ajudar um amigo em depressão?


A pessoa que está confusa, em sofrimento e que encontra na morte uma forma de alivio, já não vê mais alternativa ou possibilidades de resolver seus problemas em vida, e é importante que saiba que elas existam talvez só não as esteja percebendo ainda.


Temos a tendência de tentar mensurar e comparar a nossa dor com a dor do outro, como se houvesse um maior ou menor motivo para sofrer, porém quando a morte se torna a única saída para encontrar o alivio daquele sofrimento, só podemos presumir que aquilo que se passa na vida daquela pessoa é insuportável.


O que podemos fazer para ajudar é nos colocarmos disponíveis e sensíveis, para que essa pessoa chegue a nós ou para que percebamos quando alguém estiver dando sinais de que algo não está bem. Para a pessoa em sofrimento, saber que alguém a vê, entende ou a escuta, pode significar a existência daquela possibilidade que já não existia mais.


Mas calma, acolher uma pessoa em sofrimento não significa que tenhamos que resolver ou nos responsabilizar de forma direta por ela, nem todos possuem o que é preciso para cuidar de alguém em tamanho sofrimento, por isso podemos e devemos orientá-la a procurar uma ajuda especializada, que podem ser em um primeiro momento, profissionais como, médicos, enfermeiros, psicólogos, psiquiatras, assistentes sociais, pois se espera que estes profissionais a acolham de forma adequada e encaminhem ao profissional mais indicado para ajudá-la.


Fatores de risco e sinais que devemos ficar atentos

  • Acesso a meios letais (ex. armas de fogo, pesticidas – restringir acesso aos meios),

  • Transtornos mentais

  • Afastamento ou isolamento social,

  • Ansiedade,

  • Desesperança/pessimismo/insatisfação/solidão,

  • Apatia pouco usual, letargia, falta de apetite

  • Perda recente importante

  • Cartas de despedida

  • Desejo súbito de concluir afazeres pessoais, organizar documentos, escrever testamento, etc

  • Menção repetida de morte ou suicídio

  • Oferecer objetos ou bens pessoais valiosos

  • Dificuldade de relacionamento e integração

  • Grande impulsividade/agressividade

Frases de alerta

  • “Eu preferia estar morto”

  • “Eu não posso fazer nada”

  • “Eu não agüento mais”

  • “Eu sou um perdedor e um peso para os outros”

  • “Os outros vão ser mais felizes sem mim”

O que fazer

  1. Ouvir atentamente, com calma;

  2. Entender os sentimentos da pessoa;

  3. Dar mensagens não-verbais de aceitação e respeito;

  4. Expressar respeito pelas opiniões e valores das pessoas;

  5. Conversar honestamente;

  6. Mostrar sua preocupação, cuidado e afeição;

  7. Focalizar nos sentimentos da pessoa.

O que não fazer

  1. Interromper muito freqüentemente;

  2. Ficar chocado ou muito emocionado;

  3. Dizer que está ocupado;

  4. Fazer o problema parecer trivial;

  5. Tratar o paciente em posição de inferioridade;

  6. Dizer simplesmente que tudo vai ficar bem;

  7. Fazer perguntas indiscretas.

  8. Não emitir julgamento, nem tentar doutrinar


Precisa de ajuda? Ligue para o CVV: 188.


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