ICAVC se junta a outras grandes instituições para RECABEM

O Instituto de Câncer Arnaldo Vieira de Carvalho - ICAVC se une na formação do RECABEM, a Rede Paulista de Câncer de Bexiga, grupo formado pelos dezessete hospitais que mais tratam cirurgicamente o câncer de bexiga no estado de São Paulo.


O grupo, que já está se reunindo através da internet, pretende trocar experiências principalmente sobre câncer de bexiga músculo invasivo, pouco comum, mas que apresenta altos índices de mortalidade. "O tratamento para este tipo de câncer é de alta complexidade. Para se ter uma ideia, 50% dos pacientes de alguma forma irão enfrentar complicações cirúrgicas e as diretrizes internacionais esperam que o índice de mortalidade em serviços de referência para este câncer seja de 7%, o que é uma taxa extremamente alta", conta o chefe do serviço de Urologia do ICAVC, Dr. Hamilton de Campos Zampolli.


"Em serviços com menos experiência, observamos que a mortalidade ultrapassa 60%, inaceitável. E isso ocorre porque o câncer de bexiga músculo invasivo não tem uma prevalência grande, então ao receber um caso como este os serviços muitas vezes não estão preparados para dar o melhor tipo de tratamento ao paciente", conta Dr. Hamilton Zampolli.


Foi mapeado pela Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo que apenas 17 (2%) dos hospitais especializados no estado tem um número de cirurgias anuais que permitem um resultado comparado aos melhores do mundo. "Pensar que em um estado como São Paulo, 98% dos hospitais não conseguem entregar um resultado eficiente em termos de controle de complicação de uma doença grave é realmente um estimulo para quem tem um grande movimento e bons resultados", disse Dr. Hamilton, que complementa: "Com a criação da RECABEM, existe agora um consenso com a Secretaria para que os pacientes com esse tipo de diagnóstico sejam encaminhados para um dos hospitais participantes. "Não tem sentido o paciente ser tratado em um hospital que não possa lhe oferecer o melhor tratamento possível".


Com essa formação do grupo, os médicos pretendem também criar um banco de dados que possa ter impacto direto nas decisões de gestores hospitalares e na qualidade do diagnóstico e tratamento.


"Para o ICAVC participar da RECABEM é um reconhecimento por um papel que desempenhamos há muitos anos e ficamos felizes em saber que poderemos melhorar ainda mais os resultados de recuperação dos nossos pacientes. Em conjunto com outras instituições, é uma importante oportunidade que vai nos permitir propor politicas de tratamento e de saúde governamentais no estado de São Paulo para tratamento mais eficiente desse tipo de câncer, principalmente no Sistema Único de Saúde", conclui o doutor.


Sobre o câncer de bexiga


O câncer de bexiga representa a nona neoplasia mais frequente em todo o mundo e segunda mais comum do trato genitourinário no Brasil.


Segundo estimativa do Instituto Nacional do Câncer - INCA, apenas em 2020 serão diagnosticados cerca de 10 mil novos casos, apontando também que o diagnóstico tardio e a complexidade do tratamento provocará cerca de 4 mil mores, taxa que vem se mantendo estável ao longo dos anos de acordo com o Sistema de Informação de Mortalidade (SIM).


Para o Dr. Hamilton de Campos Zampolli, a incidência global parece estar aumentando em consequência do envelhecimento comum da população em geral e principalmente do tabagismo. "Indiscutivelmente o tabagismo representa o fator de risco mais significativo, sendo relacionado à doença em até 70% dos casos, além de produzir maiores taxas de recorrência e progressão de doença", conta o doutor, que complementa: "Há uma prevalência de 2 a 4 vezes maior de câncer de bexiga nos fumantes comparado aos não fumantes".


Os médicos alertam para sintomas comuns como o sangramento na urina, que é indolor e intermitente, ou seja, observa-se sangue na urina que desaparece espontaneamente e volta a aparecer tempos depois. Outros sintomas, como o aumento da frequência urinária, a urgência para urinar e dor à micção também podem estar relacionados ao câncer de bexiga.


Durante a pandemia do COVID-19, os médicos se preocupam com o impacto negativo nos diagnósticos de câncer. "Os impactos ainda não puderam ser bem avaliados, embora acredita-se que seja provável esperar um comprometimento do desfecho oncológico destes pacientes", conta Dr. Hamilton Zampolli. As diretrizes internacionais demonstram que o tratamento de câncer não deve ser postergado por conta da pandemia, orientando que a população faça os exames periódicos e procure um médico imediatamente ao perceber sinais incomuns em seu corpo.

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